Nascido
em Tourcoing, na França, veio para o Brasil em 1951.
Casado, 9 filhos, entre eles Jacques Six (o caçula).
No dia 12 de outubro de 1952 (gestão do prefeito Luiz Antônio
Máximo, o conhecido Professor TITO), lançava-se a pedra
fundamental do prédio da LAVALPA, marcando assim uma nova era
na cidade de Jacareí. A indústria foi uma das primeiras
grandes empresas a instalar-se na “Terra de Antônio Afonso”.
A
idéia veio de um grupo de empresários franceses, encabeçado
pelo Sr. Edouard Six. Decidiram fundar uma empresa que se destinaria
à exploração do ramo têxtil no Brasil.
A
escolha de Jacareí – por sua situação geográfica
privilegiada para a implantação do complexo industrial
– irá revelar-se acertada, e em agosto de 1954, o Lanifício
do Vale do Paraíba S/A – LAVALPA, iniciava sua produção
propriamente dita.
Edouard
Six tinha 60 anos quando veio ao Brasil pela primeira vez para implantar
o projeto. Desde então, vinha duas vezes por ano participar do
desenvolvimento da fábrica neste país que ele acreditou
ser “o país do futuro”. Naquela época (1952),
o trajeto de avião (Constellation) – França/Paris
a São Paulo/Brasil – fazia-se em 26 horas. Já em
sua última viagem (com 84 anos em 1976), o percurso se fazia
em 12 horas (BOEING 707).
A
empresa dedicou-se, entre outras atividades, principalmente à
lavagem, cardagem, penteagem e fiação de lã que
é transformada, a partir do estado bruto, em “TOPS”
de pura lã penteada e, em seguida, em fio singelo e depois retorcido.
Uma
parte da produção de fio provinha da mistura das fibras
de lã com fibras sintéticas, principalmente o poliéster
para as tecelagens.Uma outra parte provinha da fiação
de fibras acrílicas puras destinadas às malharias (Fios
Lavalpa).
Em
22 de julho de 1973, no auge de sua produção, um violento
incêndio veio reduzir em cinzas sonhos, projetos, esforços
e realizações de muitos anos. Arrasados 17.000 m2 da área
construída, desapareceu assim a totalidade das instalações
da fiação. O quadro era desolador: mais de 800.000 quilos
de ferros retorcidos, toneladas e toneladas de ruínas e cinzas...
Para muitos teria sido o suficiente para barrar um empreendimento que
avançava num ritmo acelerado. Felizmente, o maquinário
de penteagem não sofreu grandes danos, o que permitiu dar continuidade
às atividades da firma, porém num ritmo reduzido. Pouco
menos de 2 anos depois do sinistro, 9.000 m2 haviam sido reconstruídos
e já podiam ser instaladas máquinas de fiação
de avançada tecnologia.
Desde
o início de suas atividades industriais, a LAVALPA ingressou
nas fileiras dos maiores consumidores de lã bruta nacional, tendo
alcançado o primeiro lugar em 1975. Dois anos depois, em 1977,
a LAVALPA tornou-se a maior exportadora de “TOPS DE LÃ
PENTEADA” do país, tendo recebido a medalha de 1º
lugar das mãos do governador do estado de São Paulo, Paulo
Maluf.
A
LAVALPA sempre se fez presente nas festas, quermesses da padroeira da
cidade, Nossa Senhora da Conceição, assim como nos eventos
culturais e sociais da cidade.
O
fundador da LAVALPA faleceu na sua cidade natal aos 86 anos (1978).
Jacareí, em homenagem e agradecimento ao fundador da LAVALPA
- empresa que contribuiu ao crescimento da cidade dando emprego a mais
de 1100 funcionários,em três turnos (tendo sido registrados
durante o período de funcionamento mais de 16000), alcançando
os padrões internacionais na produção de lã
penteada (TOPS), dispondo-se sempre a colaborar nos projetos de desenvolvimento
da cidade - deu o nome do fundador da LAVALPA à Avenida que dá
acesso à fábrica (a qual, lamentavelmente, permanece não
asfaltada desde o período da instalação da empresa).
Posteriormente,
em 1979, a LAVALPA lançava o “LOTEAMENTO CIDADE JARDIM”
em terreno de sua propriedade adquirido em Jacareí em 1952 antes
da construção da fábrica.
Em
seguida, a LAVALPA adquiriu terras no Mato Grosso do Sul onde implantou
a Fazenda Jatobá para o beneficiamento de arroz e de soja principalmente,
sob a marca Sementes GERMINEX, enquanto que em Jacareí, começava
a fabricação de leite de soja sob a marca LACTOVIT, bem
como de um refresco denominado GITAN.
Com
a crise econômica que seguiu a entrada do plano real no país
– que se fez sentir particularmente no ramo têxtil e especificamente
nas atividades de exportação devido a taxas desfavoráveis
na conversão da moeda nacional – a empresa fechou a fiação
no final de julho de 1995. A empresa manteve-se ativa com a penteagem
até o seu fechamento, em 16 de fevereiro de 1996. Atualmente,
funciona como empresa de logística e depósito de mercadorias.